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Pai, o meu
O meu
pai não cospe para o chão, parece que vai puxar do coldre alguma arma, mas é do
bolso de trás que tira o lenço de pano dobrado, abre e deposita lá dentro um
real escarro, dobra, limpa com um dos lados a boca e volta a arrumar no bolso
de trás o lenço, prossegue no seu passo curto de elefante, cada passada tem o
cheiro a lezíria e savana, acho curioso este aspecto do meu pai, não cospe para
o chão, imagino que tem em si o respeito da via pública, o asseio de cuidar do
que é seu, também não deita papeis para o chão, aliás não recordo agora o que
seja que ele deite ao chão, talvez sementes se tivesse terra, ou milho ás
galinhas, ou aos pombos, até aos cães faz questão de dar em mão o bocado da
torrada, o osso ou outro pedaço de chicha, é solitário por escolha, cada um
deve ser o que quiser, ou que julga ser o que quer, ou então ser o que não quer
ser, é uma escolha, talvez por ter atravessado tanta hora de solidão, seja mais
cuidadoso com o mundo, é magro, mas não é parvo.
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